04/04/2015 - 13:58
Preste atenção: o que estão querendo te dizer?

O princípio básico da comunicação é que uma pessoa fale e a outra escute. Ou que uma pessoa escreva e a outra leia. E por aí vai. Se pensarmos um pouco, veremos que a mesma mensagem pode ser transmitida de formas muito diferentes. Por exemplo, se dez pessoas tentarem dizer a mesma coisa, ela provavelmente será dita de dez maneiras diferentes. Ou ainda, se outro tentasse dizer isso que eu mesma acabei de dizer, provavelmente teria sido dito de um jeito totalmente diferente. Dá pra entender?

Dá. Mas às vezes não dá. Acho que um dos principais motivos que causam desentendimentos entre as pessoas é que nem sempre conseguimos expressar corretamente o que pretendemos. Ou ainda, pode ser que o outro não consiga interpretar da forma como esperamos. Se isso pode acontecer até em uma simples conversa entre amigos, imagine como pode ser feito, torcido, distorcido e retorcido pelos meios de comunicação.

Vi esta imagem compartilhada nesta semana no Facebook. Ela mostra como um mesmo site de notícias pode divulgar fatos semelhantes de formas diferentes. Se prestarmos atenção, dá para entender que o jovem de classe média, mesmo preso com quantidade bem maior de drogas, não é chamado de traficante, como a pessoa presa no outro caso. Até a própria abreviação da palavra “quilos” para “kg” causa um impacto diferente para quem lê a frase. Se não prestássemos atenção, não perceberíamos nada e tudo seria mais uma (ou duas) notícias como as que vemos todos os dias.

Que não é o que não pode ser que não é o que não pode ser que não é, já disseram os Titãs. Ou o contrário disso, disse Caetano, que deve ser o avesso do avesso do avesso. O que quero dizer é que o certo, o espelho da verdade, não está sempre assim tão escancarado. Algumas vezes é o contrário: o errado é o que está na cara, mas pra enxergar isso a gente precisa pensar duas vezes.

Nesta semana, um menino de doze anos foi morto por um tiro dado por um policial no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. A polícia alegou que ele tinha uma arma na mão. A mãe do menino mostrou à imprensa que era um celular. A polícia e a mídia chamam a operação na favela de “pacificação” e “guerra contra o tráfico”. E nessa, um menino morreu também. E muita gente nem entendeu.


Autor(a): Camila Stuelp



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